Ei, você, quem quer que você seja. Você: aquele que não tem rosto, mas só braço, só braço. Preciso te dizer aquilo que não digo a ninguém, isso que sinto hoje com a ajuda pouca do vinho barato, mas que vai embora amanhã com o sol. É um desespero! Um desespero que não posso te contar – nem a você. Um desespero que talvez soe loucura, mas não é. É que parece que só eu sinto e que você sabe que é assim que sinto, mas tem medo de ouvir. Preciso de mais um pouco de vinho e talvez um pouco mais que braço. Preciso talvez de um braço e um ombro, ou um outro braço e um outro ombro e um ouvido. O que eu preciso é de um ouvido que não tenha medo. É que tem essa janela e essa vertigem que não é o medo, mas o medo do desejo – da queda. Você sabe que não fui eu que disse isso, mas sou eu que te digo. E você não quer ouvir.