Hoje um amigo se casa e por isso trago em mim uma alegria imensa, ou ainda duas alegrias. Uma boa, por ele, que gosto dele e sei que está feliz e uma outra, mesquinha, minha. É que um dia eu o deixei para cuidar de um outro menino e por muitos anos estive pensando quem cuidaria dele, naquele dia em que o abandonava. E a minha alegria é um pouco mesquinha porque me despeço hoje de uma das muitas culpas que carrego, como se a guardasse, quietinha, sem agora nenhuma importância.

Se tivesse sido convidada, seria a primeira a mandar o presente. Compraria um jogo de chá branquinho com chaleira e tudo e escreveria num cartão simplesinho, primeiro o nome dela, depois dele, como reza a etiqueta.

“Desejo a vocês uma família grande e feliz.”

Que é o que eu desejo mesmo aos casais que se casam. Entregaria o presente na portaria, mas não iria a cerimônia, que às vezes sei ser conveniente. Em todo caso, abriria um vinho e tomaria com meu marido, desejando a eles que sejam tão felizes quanto nós. Amém.