Há mais de um ano casamos, colocamos telefone em casa e até hoje ligam muito procurando Kátia. Não sou amiga de Kátia propriamente –nunca a vi – mas tenho por ela certa admiração. É uma pessoa muito caridosa e tem fé, sobretudo nos homens.

Creches, igrejas, hospitais e instituições de todos os tipos ligam, quase sempre de manhã cedo. Confesso que às vezes me irrito porque me acordam e porque, ao contrário de Kátia, nunca fui capaz de ajudar a ninguém.

_Estamos mandando aquele missionário aí na sua casa para recolher sua contribuição mensal, okay?

Kátia é muito rica, milionária. Senão paupérrima e doa até o que não tem. O que não entendo é porque ela trocou o telefone e não avisou aos seus ajudados. Kátia perdeu a fé? Cansou-se dos homens e desligou o telefone. Ela teve uma desilusão tão grande e forte que não quis saber de nada. Kátia viajou em missão humanitária para Índia, casou-se com um alemão, foi para um mosteiro, gastou todo dinheiro no jogo.

_Tem certeza que você não sabe de Kátia, não tem algum vizinho que saiba…

_Não sei, infelizmente. Mas olha, se você encontrá-la diga que mandei um abraço.