Ei você, que um dia não soube de nada e eu que sabia tudo e que era tão forte vi sua fraqueza, sua dorzinha tão pequena, e não pude me conter. Tão pequeninha sua dorzinha que ninguém mais soube –só você –ninguém soube que eu te humilhava.

Ei você, que um dia foi criança, que um dia foi menino e tão frágil foi que eu te defendi sem nem me perguntar se você estava certo.

Ei você, que um dia me amou e apesar de mim e me amou com tudo o que foi capaz, até mesmo achou bonito eu saber, assim de tanto te conhecer, a sua pequenice. E me perdoou da minha maldade e, humilhado, me perdoou tão sucessivas vezes da minha maldade e do meu –tão grande- amor.

Ei você, me perdoa.

Você, que agora crescido, que sabe de tudo e é tão forte, não me venha de novo me querer vingança. Não me venha na minha dorzinha tão pequena me fazer chorar sem consolo, sem nem poder pedir consolo, tão pequena é minha dorzinha.

Você, meu irmão, se não pode me perdoar, tenha ao menos o amor que te tive. Sim, me faça vingança, é o justo. Me faça ofensa, é o justo. Me faça maldade, é o justo. Me tenha amor, é o justo. O amor todo que eu te tive.