A psicóloga da creche me disse que a adaptação à nova rotina é um processo mais difícil para a mãe que para o bebê e acrescentou que os bens mais valiosos que os pais podem dar a seus filhos são amor e limites.

Hoje acompanhei o segundo dia de Miguel na escolinha. Ele ficou muito bem na presença das outras crianças, o difícil era convencê-lo a ficar dentro da salinha, já que percebeu rápido que se vencesse o meio portão e um pequeno corredor, chegaria ao parquinho de areia.

A brincadeira no parquinho é as oito, agora é hora da salinha, Os outros já estão habituados e os próprios pequenos fecham o portão quando entram para as atividades. Todos brincam o que foi proposto pela tia, a não ser Miguel, que quando não procura maneiras de transpor o portão insiste na janela, e Sarah, que prefere brincar comigo no canto da sala.

Sarah é a loira, de cabelos cacheados. A pequena é muito esperta e sabe as cores e o nome das pessoas. Ela fala mais que os outros, mas não entendo o que ela fala, porque fica todo o tempo com a chupeta na boca. Peço a ela que tira a chupeta para que eu possa entendê-la. “Mamãe vem me buscar”

Depois, Sarah aprendeu a tirar a chupeta para falar comigo – as tias já sabem as frases dela. “Mamãe vem me buscar, mamãe está vindo me buscar”.

Tia Nininha convence a pequena a tirar a pepê e ela se junta ao grupo por alguns instantes. “A Sarah não precisa de chupeta” é a outra frase dela. Arrastou um carinho e voltou para o canto, agora chorando e esfregando o olhinho, sem alarde, um choro contido: “pepê, pepê”. Depois se recompõe, sem deixar de chorar: “ a Sarah não precisa de chupeta”.

Na fila que leva as crianças do grupo 2 ao almoço, Brenda tem um ataque repentino de choro “ Princesa não chora, Brenda”, a tia falou e foi o suficiente, mas a outra – que não é princesa – resolveu chorar durante toda a cantiga que antecede o almoço.

Na salinha, Miguel provoca pequenas insurreições entre os pequenos. Algumas vezes dois ou três engrossaram o coro dos que querem sair, fazendo plantão na janela e na portinha, mas logo vinha um coleguinha e trazia os outros para sala: “ é hora da salinha”.

A disciplina é um processo um pouco doloroso, mas rápido, e quanto mais novo melhor. Émais fácil viver em norma. Difícil é o caminho inverso, sem chupeta, sem sucesso e sem saber quem vem buscar depois do almoço.