Bom dia. Ou antes, se eu tiver que falar com você, que cumprimente boa noite, que é quando me sinto melhor nua. Me desculpe, preciso de ajuda. Veja que o uso o precisar sem muita parcimônia, como se não desse a ele o devido peso. Pode ser, mas sinto que preciso com tudo. Não desejo, no entanto, te pedir.

Desde que parei de escrever não tenho me dado bem com sentimentos e tenho tido muitas dores e alegrias, dessas cotidianas. E tendo me saído mal, pareceu-me uma ulcera e não posso beber. Peço ajuda porque tirando escrever e cachaça, desconheço outro jeito de encarar o mundo. Se eu disser que pensei na morte tenho medo de ser julgada. Porque sei que a palavra que sai tem poder. Mas algo me diz esses dias que mais perigosa é a palavra que fica e não encontra meios de sair. É por isso que eu pedi ao senhor que me ajude. Mas não me dê remédio que ateste minha fraqueza de estômago e de espírito. E a fraqueza de letras que tem quem lê.

Quero agradecer ao senhor e também lhe pedir desculpas. Não sei bem porquê. Ando com essa mania de agradecer e pedir desculpas, que me parece de certo modo não propriamente uma humildade, mas uma outra coisa que não estou sabendo nomear: tenho lido pouco.

No mais, acho que posso me dizer feliz por ter lhe dito hoje. Fiz um esforço de mãos e agora não me ocorre mais nada, me desculpe. Digo, obrigada.