Minha avó diz que dor na gravidez se trata é com chá, mas na dúvida procurei um médico. Tinha na cabeça dois nomes de maternidade que ofereciam plantão, só que a atendente da primeira informou que àquela hora não havia obstetra por ali.

Na segunda, me mandaram para o terceiro andar, mas não sem antes alertar que o médico estava no meio de uma cesariana e que duas mulheres já esperavam para serem atendidas.

Subi. Uma das mulheres não passava bem e andava amparada por uma enfermeira. A outra era gorda e eu não sei dizer se também estava grávida.

Fui esperar no sofá, perto do bebedor. O corredor era branco e as luzes todas enfileiradas, uma após a outra, uma após a outra. A flor subia pálida no jarro pálido. As caras das mulheres, das enfermeiras, da atendente negra: tudo muito branco e silencioso.

Só o que se ouvia era uma mulher gritando ao fundo, espaçadamente e com dor, o que me levou a me perguntar se em cesariana também se grita.

Creio que se gastou uma hora. Quando o homem alto – que não sei se marido da mulher que gritava ou se dá que esperava amparada na enfermeira – passou para buscar água pela quinta vez, me levantei e fui para casa esquentar água, limão e mel.