Outra dor nessas dores pequenas é que elas não são dignas de um abraço. E porque carregava uma dessas nos ombros, fui dirigir. No sinal, um mendigo fez gesto de fome e eu que não levava carteira –nem de habilitação –abri a janela apenas para dizer que não tinha nem uma moeda. Ele percebeu que eu chorava. Desses choros abafados quase sem lágrima e com muito apelo. Porque chorava, me fez um elogio. Disse dos meus olhos e outras coisas que o ocorreu na hora. O mendigo do sinal viu a minha dor, se compadeceu de mim e falou como me desse um abraço.