Quando cheguei aqui foi logo depois da guerra. Ninguém tinha esse costume não, de fazer expedição. O Brasil acho que era uns cinqüenta anos atrasado em relação a Europa. Ninguém não subia morro assim de graça e me perguntavam para quê chegar lá em cima para depois descer. Lá na época o morro da Urca eu vinha sozinho, hoje dá fila de gente. E nas outras reservas era só eu mesmo e os guardas me conheciam. Você ainda não está na idade, minha filha, que é nova, mas vai chegar os trinta anos e é bom fazer exercício todo dia que assim acostuma. Você diz hoje que eu tenho oitenta? Mas isso faço desde novo quando cheguei depois da guerra. E o Brasil era atrasado mesmo. Aqui lente de contato não tinha, por isso fazia fila lá na ótica. Hoje é que essas descartáveis fica mais fácil de usar, né? Aí a ótica já não dá esse lucro.Só que isso chegou foi quando os filhos já todos criados. Você vê: hoje já nem vou lá que não tenho paciência, mas a Joanna tomou conta. Ela que é toda instável que vive mudando de ideia, pois ela mesmo é que toma conta. O Francisco quando começou a estudar eu achei que fosse ficar na ótica. Aí fez mestrado, doutorado. Achou que ser ótico ia ser muito degradante para ele…