Não estacione: garagem. Este foi o maior contrasenso da humanidade durante boa parte da minha infância. Soava quase como não coma: comida. Ora, não era esse o grande objetivo da garagem?

Um dia eu chamei a atenção da minha mãe para o aviso estúpido. Explicou-me. E a garagem se pacificou na minha vida até há pouco.

É que meu pai cismou de fechar com vidro a minha varanda. Reclamamos, eu e minha jaboticabeira, com quem divido o espaço. Ela, veementemente, insistindo em conservar as folhas secas, não a devolvesse o vento que vem do morro. Eu, porém, limitei-me a cobrar explicações de papai.

Me Mostrou o barulho insuportável do alarme da garagem. Ainda não havia me atentado, mas quase todas as garagens modernas têm um alarme que toca toda vez que entra ou sai um carro. De novo o mesmo tormento: dessa vez me pareceu quase como um alarme antichamas no fogão. Não serviria a garagem para entrar e sair carros?– questionei-me mais uma vez.

O problema é que o barulho pode passar uma vida inteira despercebido, mas se você se atenta para ele uma vez, já era. Por isso,caso você comece a se incomodar, caro leito, devo pedir desculpas e alertá-lo que nada mais funciona dentro da minha casa enquanto o alarme alerma: um carro entra ou sai da garagem.