Há ao meu lado um homem grande – preciso escrever. Sorte minha letra ser ilegível, que ele poderia ler meu bloquinho, tão perto que está. Mas todos olham para frente: há uma palestra. Já não sei mais do que se trata porque o homem grande tem as mãos enormes e o peito e as costas. Vejo minha cabeça em seu peito, sento no seu colo com a cabeça em seu pescoço. Tenho vontade que ele me abrace com as mãos grandes no meu quadril. Olho tanto o homem e tanto penso. Tenho medo que ele perceba. Ele é todo grande, os ombros, as pernas, as mãos. Nunca reparei homens grandes, mas tenho vontade de olhá-lo. Então olho os ombros e os braços.