_Vai se chamar Berenice – respondi à médica que girava aquele trem gelado na minha barriga 

_Graças a Deus, não vai – disse ela – que não gostou do nome.
Meu marido deu um salto da cadeira, com sorriso orelha a orelha. Explicaram-me, antes que eu conseguisse entender:
_É menino.
….
Por mim coloco Benedito, mas o coro da galera “Benedito não, coloca Bento”, e papai sempre categórico:
_Bento que Bento é o Frade.
Minha irmã quer Theo, que significa dádiva de Deus. Mas para mim Theo é apelido de Theobaldo e eu quase sempre ignoro as sugestões da minha irmã, que sempre vem faltando letra. Enzo, que falta o R; Luca, que falta o S; Nando, que falta uma sílaba inteira; Léo, que falta mais do que tem.
Não é que eu não goste de nome pequeno, aliás, meu preferido é Brás, que considero muito nobre. Rafael diz que é nome de caminhoneiro, pode ser, mas caminhoneiro nobríssimo. Ele quer Omar.
Omar é um homem velho e triste que passou a vida sentindo que faltava alguma coisa, sem perceber que era o S que faltava. E que se existisse, continuaria miserável, o pobre.
Só não fico com Brás, e muito a contragosto, porque significa gago. Então, escolhi Samir.
_Não era menino? , perguntou um amigo, mui ignorante.

Depois me disseram que Samir significa companheiro falante. E eu, que imagino meu filho muito articulado, mas não tagarela, fiquei novamente a chamá-lo menino.