Já aconteceu de começar a ler um livro mais de cinco vezes e nunca conseguir terminá-lo. É que algumas palavras me consomem. Esse do Ubaldo eu comprei em um sebo e nunca pude sequer iniciar a leitura. Para Berenice como tudo mais; a dedicatória, antes que eu chegasse à primeira página. Ele amava a mulher com tudo e eu nunca (?) saberia amar como a Berenice.

Um dia brincávamos de jogos de tabuleiro na casa do Marlon, a tarefa era adivinhar o nome de artistas pelas dicas que os outros jogadores davam. A essa altura, eu já sabia que se tratava do escritor, mas minha vez tardava a chegar e continuavam as dicas. “Tem uma filha chamada Berenice”, disse meu amigo.

Era filha dele! Tudo se iluminou e eu me senti mais humana.

Eu a desejo desde que é apenas uma idéia. Mas se eu dissesse que desejei apenas que viesse com saúde, estaria me atribuindo virtudes que não soube ter. Pedi que viesse com saúde, fosse menina e tivesse os olhos do pai. Sendo atendida em todos os meus desejos, chamei-a Maria. E a amarei como a Berenice.