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Hoje eu fiz uma coisa muito inapropriada para uma mãe: fui a praia. E tão inapropriada e desobediente, levei meu filho comigo. Hoje passamos batido pelo parquinho e tomamos sol na areia. Coloquei meus pés no mar, estava frio, e abaixei o neném até que ele também encostaste os pezinhos na água fria, ele precisava de batismo. Chamei Deus. Deus te batize Miguel.

Depois fiz outra coisa tão inapropriada! Fui a piscina e nadei sozinha. Idas e voltas na piscina e Miguel no carrinho, ao sol, que não é para os bebês. Meu Deus, hoje eu fui a praia, nadei na piscina e ainda pior o que estava por vir.

Escrevi um texto ali mesmo, destes que a gente escreve na cabeça e fala umas palavrinhas para não esquecer e que nunca vai parar no papel. E eu fiquei tão feliz de escrever que achei o texto muito bonito.

E ainda comi doce de leite no pão.


Se não escrevo não é o tempo que me falta, mas o amor, que me comovia às coisas pequenas. E mesmo o amor às grandes causas não tem habitado em mim. A discussão sobre quem é deus tem sido infrutífera. Ò Deus, habite em mim o amor.


Deus,desculpe um burro. Um burro soberbo que não aprendeu a lição e que não a tendo aprendido, preferiu sua honra à retidão. Deus,perdoe um burro desonrado que só sabe escrever e quando não escreve direito, nada sabe. Perdoe um burro que não sabe nem que é burro, e não sabendo que é burro, levanta a voz. Fique quieto e sê humilde, era a lição. Mas estou aqui: desonrada, mas não humilhada. Não humilhada em conseqüência da desonra. Meu Deus, me perdoe por ter errado sabendo do erro. Me perdoe por não ter compaixão do outro nem de minha ignorância, na minha não retidão. Meu Deus, só você pode perdoar um burro que mentiu para não ser humilhado, que humilhou para não ser humilhado, que zombou dos seus para não ser humilhado, que cometeu um terrível pecado.


Bom dia. Ou antes, se eu tiver que falar com você, que cumprimente boa noite, que é quando me sinto melhor nua. Me desculpe, preciso de ajuda. Veja que o uso o precisar sem muita parcimônia, como se não desse a ele o devido peso. Pode ser, mas sinto que preciso com tudo. Não desejo, no entanto, te pedir.

Desde que parei de escrever não tenho me dado bem com sentimentos e tenho tido muitas dores e alegrias, dessas cotidianas. E tendo me saído mal, pareceu-me uma ulcera e não posso beber. Peço ajuda porque tirando escrever e cachaça, desconheço outro jeito de encarar o mundo. Se eu disser que pensei na morte tenho medo de ser julgada. Porque sei que a palavra que sai tem poder. Mas algo me diz esses dias que mais perigosa é a palavra que fica e não encontra meios de sair. É por isso que eu pedi ao senhor que me ajude. Mas não me dê remédio que ateste minha fraqueza de estômago e de espírito. E a fraqueza de letras que tem quem lê.

Quero agradecer ao senhor e também lhe pedir desculpas. Não sei bem porquê. Ando com essa mania de agradecer e pedir desculpas, que me parece de certo modo não propriamente uma humildade, mas uma outra coisa que não estou sabendo nomear: tenho lido pouco.

No mais, acho que posso me dizer feliz por ter lhe dito hoje. Fiz um esforço de mãos e agora não me ocorre mais nada, me desculpe. Digo, obrigada.