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Outro dia experimentei um êxtase pós-cansaço. Minhas pernas não me respondiam. Houve um pouco de medo. Depois o corpo inteiro relaxou os músculos, nada parecia responder. Eu tinha consciência da minha falta de controle. Nada dependia mais mim e já não havia medo ou cansaço. Isso era amor. Finalmente entreguei o corpo e foi um êxtase. Uma sensação de morte.

Morrer é bom, não precisa tanto medo.

Não quando se é jovem. Quando se luta em desespero para ficar, com a gana que se tem quando é jovem.Há pouco eu vivi isso, quando se foi um amigo, querendo ficar. Quando morre um jovem são muitas mortes e uma tragédia sem consolo.

Mas a morte, quando é chamada e vem, depois do cansaço, é bonito ir. Primeiro as pernas, os braços e depois entregar o corpo. Se entregar em paz e dormir. Hoje com sol e tanta vida, é um bonito dia para morrer. Para se entregar, depois da luta, como quem finalmente venceu. A vida.


Essa história de me fazer de culta já me custou um namorado (dos bons), alguns sorrisos, duas ou três conversas, pequenas mentiras. Estou em meio a uma crise de artista sem público: uma crise de transpiração. Tenho inspirações mil, mas elas não tomam forma. Enjoei do meu estilo, do meu ritmo, da minha pegada. Tudo sai tão previsível que reconheço minha letra no meio de outros textos digitados. É uma crise de leitura pouca, que nos deixa sem instrumento, Agora mesmo eu chamaria de preguiça e, assim nomeada, acho que essa crise vai passar amanhã, com o sol.